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It’s Embarrassing to Date a Manchild ft. VOGUE

✍️ Este texto usou como base o artigo “Is Having a Boyfriend Embarrassing now?”, publicada pelo Vogue britânica no dia 29 de outubro de 2025 escrito pela jornalista Chanté Joseph, e aqui vamos destrinchar sobre o assunto mas com minhas próprias considerações sobre o tema — afinal, se até amar virou motivo de vergonha pública, é justo a gente conversar sobre o que exatamente está acontecendo com os homens (ou melhor, com os moleques).

👉 Artigo Completo Vogue Britânica

Há alguns anos, o termo namorado era quase um troféu. Postar uma foto de casal no Instagram era sinônimo de status, amor e estabilidade emocional ou, pelo menos, da aparência disso.

Hoje, como bem escreveu Chanté Joseph na Vogue britânica, o simples ato de dizer “meu namorado” online já causa repulsa. “As pessoas estão envergonhadas por seus namorados agora?”, ela pergunta. E a resposta parece ser um sonoro: sim.

Mas, convenhamos, o que é embaraçoso de verdade é ter um moleque como namorado.

Joseph observou que “as mulheres estão obscurecendo o rosto de seus parceiros quando postam, como se quisessem apagar o fato de que eles existem sem realmente não postá-los”. É cruel mas também é cômico.

Não dá mais para se orgulhar de um relacionamento heterossexual quando, em 2025, a maioria deles parece uma eterna colônia de férias para garotos (de 30 anos ou quase) sem nenhuma segurança emocional ou maturidade.

A síndrome de Peter Pan virou o novo normal.
Os homens não crescem, não amadurecem e ainda acreditam que responsabilidade afetiva é uma hashtag de autoajuda. Eles flertam com o desinteresse como se fosse charme, transformam traumas em personalidade e confundem vulnerabilidade com carência.

E nós? Nós viramos terapeutas involuntárias com um batom vermelho e uma paciência que ninguém nos pagou para ter.

O caso mais recente de constrangimento público veio com o pedido de namoro do jogador Vinícius Jr. para a influenciadora Virgínia Fonseca.

Um homem adulto, multimilionário, encheu um quarto com bexigas em formato de coração, pétalas de rosas artificiais e ursos de pelúcia, tudo isso para pedir uma mulher adulta em namoro, como se estivéssemos num episódio perdido de Malhação.

O gesto, que deveria ser romântico, soou cômico, e a internet reagiu com ironia, porque o pedido mais parecia um menino pedindo a crush da oitava série para ser sua namorada depois da aula.

Não é sobre o amor é sobre o teor adolescente que os homens têm dado a ele.
Há algo constrangedor em ver homens adultos performando uma inocência que já não convence ninguém. O problema não é o romantismo; é a infantilização.

Evoluímos. Eles não.

Enquanto isso, as mulheres estão crescendo e rápido.
Como diz na matéria da Vogue, “à medida que nossos papéis tradicionais começam a desmoronar, talvez estejamos sendo forçadas a reavaliar nossa lealdade cega à heterossexualidade”.

E é exatamente isso: estamos reavaliando tudo.

Hoje, não precisamos mais de um homem para pagar o jantar, muito menos para garantir status social. O que queremos — e o que deveria ser o mínimo — é parceria, maturidade e consciência emocional.

Só que esses ingredientes andam escassos, tal qual achar um homem com a maturidade designada para a sua idade.

Ser uma mulher de 2025 é viver num paradoxo: quanto mais você evolui, mais difícil fica se relacionar com homens.
Parece que estamos em 4K, e eles ainda assistem à vida em VHS.

Somos emocionalmente alfabetizadas, financeiramente independentes, terapeutizadas e eles ainda estão discutindo se podem chorar ou não.

A equação é simples: não é que não existam homens bons. É que a proporção de “moleques performando masculinidade” está saturando o mercado afetivo.

Como canta Sabrina Carpenter em “Manchild”:

“Why so sexy if so dumb?
Como pode ser tão gostoso se é tão burro?
And how survive the Earth so long?
E como sobreviveu tanto tempo na Terra?
If I’m not there, it won’t get done.
Se eu não faço, não acontece.”
— Sabrina Carpenter, “Manchild”

Esse trecho sozinho resume toda uma geração de relacionamentos heterossexuais.
Sabrina, aliás, virou uma espécie de oráculo do desencanto feminino contemporâneo, pela forma que ela sempre debocha dos homens e dos relacionamentos heterossexuais da atualidade.

Em “Goodbye”, ela debocha do apego masculino disfarçado de mistério:

“Broke my heart on Saturday
Você partiu meu coração no sábado
Guess overnight your feelings change
Acho que da noite pro dia seus sentimentos mudam.”
— Sabrina Carpenter, “Goodbye”

As mulheres da Geração Z entenderam o recado: amar não pode significar se diminuir.
E ter um namorado não pode significar um downgrade de energia.

Amar um homem que não se ama, que não se entende e que foge da própria sombra é, de fato, uma missão embaraçosa e exaustiva.

O paradoxo do amor hétero

Hoje, o relacionamento hétero é quase um campo minado.
As mulheres vivem o dilema de amar um homem sem virar a mãe dele.
Ser compreensiva, mas não ser babá emocional.
Ter empatia, mas não tolerar mediocridade.

E quando encontramos um homem realmente maduro, a sensação é dupla: alívio e revolta.
Alívio, porque é raro. Revolta, porque, ao viver um relacionamento saudável, passamos a enxergar o caos ao redor e entendemos por que tantas mulheres estão exaustas.

É quase uma piada cósmica: amar um homem decente faz você odiar os outros ainda mais.
Porque a régua sobe.

De repente, o que antes parecia aceitável — a falta de comunicação, o medo de compromisso, o eterno jogo de desinteresse — passa a ser visto pelo que realmente é: imaturidade travestida de charme.

O que está em jogo não é só o amor, mas o papel social dos homens.

Como escreveu Joseph, “ter parceiro não afirma mais sua feminilidade; não é mais considerado uma conquista”.
E talvez esse seja o ponto mais libertador de todos.

Antigamente, um homem era quase uma moeda social: a mulher com namorado era “respeitável”.
Hoje, a mulher solteira é temida — justamente porque ela é livre.

Livre para não tolerar migalhas.
Livre para não fingir reciprocidade.
Livre para escolher o silêncio em vez do caos.

E se ter um namorado virou algo embaraçoso, talvez o problema não seja o namoro em si mas o tipo de homem que a maioria dos relacionamentos oferece.

Em um mundo em que as mulheres já são suas próprias provedoras, companheiras e narradoras, o que exatamente um namorado adiciona à equação além de ansiedade, drama e um estoque infindável de desculpas?

As mulheres estão exaustas do papel de “entendedoras”.
Queremos rir de novo, desejar de novo e, principalmente, sermos admiradas sem precisar diminuir a luz para que o ego deles não derreta.

Como Sabrina Carpenter ironiza em “Please Please Please”:

“If you wanna go and be stupid
Se você quer dar uma de idiota
Don’t do it in front of me
Não faça isso na minha frente.”
— Sabrina Carpenter, “Please Please Please”

Enquanto os homens ainda interpretam romance como posse e maturidade como fraqueza, nós seguimos criando novas formas de amar ou simplesmente existir sem precisar justificar nossa independência.

O embaraço de ter um namorado hoje não é vergonha do amor é vergonha da desigualdade emocional que o amor hétero ainda carrega.

A vergonha está em saber que você merece mais, mas se contenta com menos porque o mercado emocional está em liquidação.
A vergonha está em ver amigas incríveis reduzidas a “namoradas de alguém”, como se isso fosse o auge da biografia delas.

E talvez o movimento não seja sobre abandonar os homens, mas sobre parar de protegê-los.
Parar de explicar o básico.
Parar de romantizar a falta de esforço.

Porque, como diz Sabrina em “Feather”:

“Your signals are mixed, you act like a bitch
Você dá sinais contraditórios, você age como um mimado
You fit every stereotype: Send a pic
Você se encaixa em todos os estereótipos: manda uma foto
I feel so much lighter like a feather
Eu me sinto muito mais leve, como uma pena
With you out my life
Sem você na minha vida.”
— Sabrina Carpenter, “Feather”

E, sinceramente, estar livre — emocional, financeira e mentalmente — nunca foi tão sexy.

Então sim, Chanté Joseph, você tem razão: ter um namorado é embaraçoso agora.

Mas não porque amar é vergonhoso e sim porque a maioria dos “meninos” ainda não entendeu que crescer é o novo sexy.


Blog escrito por : Anna Lívia Borges

Publicado originalmente na Newsletter Capsule Letter – Substak

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